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40 - Avaliação do Protocolo de Assistência à Saúde aos Casos de Exposição a Substâncias Químicas Decorrentes da Atividade Minerária no Âmbito do SUS-MG.

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PROTOCOLO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE AOS CASOS DE EXPOSIÇÃO A SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS DECORRENTES DA ATIVIDADE MINERÁRIA NO ÂMBITO DO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS
 


Data de Abertura: 20/05/2024                                                           Data de Fechhamento: 20/06/2024


 

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APRESENTAÇÃO

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais publicou a Resolução SES nº 9113, de 07 novembro de 2023, que divulga a Nota Técnica nº 5/SES/SUBPAS/2023, na qual são estabelecidas as estratégias e diretrizes para organização e qualificação da assistência aos casos de exposição a substâncias químicas ligadas à atividade minerária e suas implicações, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) de Minas Gerais, direcionada a gestores, profissionais de saúde e cidadãos envolvidos nesses casos. Como continuidade deste trabalho, apresenta-se o Protocolo de Assistência à Saúde aos Casos de Exposição a Substâncias Químicas Decorrentes da Atividade Minerária no Âmbito do Sistema Único de Saúde de Minas Gerais.

 

Esse protocolo vem sendo desenvolvido pelos servidores da Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais e tem sido fonte de extensas consultas e colaborações, demonstrando o interesse e relevância do seu conteúdo. Durante o processo de elaboração foram levantadas diversas limitações que merecem ser destacadas, tais como a presença de literatura desatualizada, a falta de embasamento teórico em muitos dos metais objeto deste documento, bem como outras questões pertinentes. Reconhecemos a importância de superar tais limitações e aprimorar continuamente este documento. Portanto, trata-se de uma proposta preliminar, e os levantamentos propostos precisam ser complementados por discussões junto ao Ministério da Saúde, à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (CONITEC) e outros autores. Associados a isso, avaliações complementares de custo e efetividade também são necessárias.

 

É importante frisar, ainda, que a análise das informações e tratamentos dispostos nesse documento deve ser feita concomitantemente a análise do contexto e clínica do paciente. Trata-se de abordagens que devem ser consideradas a depender do caso concreto, uma vez que a exposição pode influenciar a ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco à população. No entanto, essa ocorrência pode ter origem multifatorial. Nesse sentido, os apontamentos devem ser avaliados considerando todas as dimensões do processo de saúde das populações.

 

Os procedimentos, exames e terapias foram abordados embasados na literatura, logo devem ser realizados de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, levando em consideração também a disponibilidade dos recursos médicos e terapêuticos adequados. É essencial que o tratamento seja personalizado e adaptado às condições específicas de cada indivíduo, garantindo assim uma abordagem mais eficaz e centrada no paciente.

 

Ressaltamos que é de extrema importância a implementação efetiva das políticas de saúde, garantindo a redução das desigualdades sociais e favorecendo condições mais propícias de mobilidade, trabalho e lazer. Além disso, destacamos a relevância da conscientização individual sobre participação ativa no processo de promoção da saúde e da qualidade de vida.

 

Comprometemo-nos a buscar constantemente atualizações, promover discussões e incorporar as melhores práticas e evidências disponíveis, com o intuito de aprimorar e aperfeiçoar este protocolo de forma contínua.

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1 INTRODUÇÃO

 

Os metais pesados são um grupo de elementos químicos com características metálicas presentes naturalmente na crosta terrestre. Alguns metais são classificados como funcionais por serem indispensáveis ao bom funcionamento dos organismos vivos. Entretanto, alguns metais podem causar efeitos tóxicos, mesmo quando ingeridos em baixas concentrações, devido à sua capacidade de bioacumulação na cadeia trófica (1, 2).

 

Portanto, os metais pesados podem ser considerados tóxicos à saúde humana e, em decorrência de tratamentos prévios, acabam empregados em produtos nas suas diversas fases de fabricação, manipulação, embalagem, estocagem, transporte, dentre outros. Muitas vezes podem ser encontrados em alimentos, água, embalagens, cosméticos e produtos de limpeza. Sendo assim, acabam fazendo parte do dia a dia da população.

 

Entre os metais pesados mais preocupantes estão o arsênio, mercúrio, cádmio e chumbo, devido aos seus efeitos tóxicos à saúde humana. Por outro lado, o manganês é um nutriente essencial para o corpo humano, porém, quando ingerido em quantidades elevadas, pode tornar-se tóxico.

 

Assim, essas substâncias são objeto do presente protocolo, em função da possível exposição da população do estado de Minas Gerais, sobretudo nas localidades nas quais são desenvolvidas atividades minerárias e/ou nas localidades atingidas por material ligado a desastres minerários.

 

Esses metais podem ser tóxicos a saúde humana quando gerenciados de forma inadequada. A exposição acima dos níveis fisiológicos e a intoxicação por metais pesados podem causar o declínio das funções celulares, musculares e neurológicas, tipos de câncer, além de outros agravos a saúde.

 

No Brasil o SUS possui papel fundamental na prevenção e promoção da saúde humana, sendo esses serviços essenciais para auxiliar nos cuidados e na conscientização, visando proteger a saúde humana dos efeitos nocivos dos metais. Desta forma, faz-se necessário o desenvolvimento de um protocolo de atenção à saúde, voltado aos casos de exposição a substâncias químicas, em especial daqueles advindos da atividade minerária.

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2 PÚBLICO-ALVO

 

Este protocolo destina-se aos profissionais de saúde, primeiramente aqueles envolvidos na Atenção Primária à Saúde, e em segunda instância aqueles da Atenção Especializada Ambulatorial e Hospitalar. As populações-alvo deste protocolo são os indivíduos expostos a substâncias químicas decorrentes da atividade minerária no âmbito do Sistema Único de Saúde de Minas Gerais, como trabalhadores com ocupações que envolvam exposição a metais pesados, populações de locais em que há atividade de mineração ou locais atingidos por rompimento barragens de rejeitos de minério.

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3 OBJETIVO

 

Este protocolo se propõe a oferecer recomendações aos profissionais de saúde sobre as condutas a serem adotadas para avaliação, tratamento, acompanhamento e encaminhamento das pessoas possivelmente expostas às substâncias químicas (aos metais arsênio, mercúrio, cádmio, manganês e chumbo), tendo em vista a ligação de sua ocorrência com atividade minerária, de modo a garantir a efetividade e a segurança das ações a serem tomadas.

 

Em virtude da relação da temática com a atividade minerária, este protocolo se propõe a oferecer recomendações aos profissionais de saúde sobre as condutas a serem adotadas para avaliação, tratamento, acompanhamento e encaminhamento das pessoas possivelmente expostas às substâncias químicas (aos metais arsênio, mercúrio, cádmio, manganês e chumbo). Assim, visando garantir a efetividade e a segurança das ações a serem tomadas.

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4 ARSÊNIO

 

O arsênio é um elemento que ocorre naturalmente e se encontra largamente distribuído na crosta terrestre, classificado quimicamente como metalóide, tendo propriedades de metal e não metal; no entanto, é frequentemente referido como um metal. O arsênio elementar (às vezes chamado de arsênio metálico) é um material sólido cinza-aço. No entanto, o arsênio é geralmente encontrado no meio ambiente combinado com outros elementos tal como oxigênio, cloro e enxofre. Quando combinado com esses elementos é chamado de arsênio inorgânico. Quando combinado com carbono e hidrogênio é referido como arsênio orgânico (3).

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4.1 Fonte de Exposição

 

Como o arsênio é encontrado naturalmente no meio ambiente, pode-se ficar exposto a alguma forma de arsênio pela ingestão de alimentos, água ou inalação de ar. A exposição dérmica também é possível. As crianças também podem ser expostas ao arsênio ao ingerir solo, porém a ingestão de alimentos é geralmente a maior fonte de arsênio. A fonte predominante dietética de arsênio são os frutos do mar, seguidos de arroz/cereais de arroz, cogumelos e aves. Enquanto os frutos do mar contêm as maiores quantidades de arsênio, para peixes e mariscos, isso ocorre principalmente na forma orgânica de arsênio, chamada arsenobetaína que é muito menos prejudicial à saúde. Algumas algas marinhas podem conter arsênio em formas inorgânicas que podem ser mais prejudiciais (3).

A quantidade de arsênio absorvido por inalação ainda não foi determinada com precisão, mas pensa-se que esteja na faixa de 60% a 90% de absorção. Partículas menores se depositam mais profundamente no trato respiratório (4).

Quadro 1: Fonte de Exposição ao arsênio (4)

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4.2 Prevenção

O estado nutricional de uma pessoa pode desempenhar um papel importante na prevenção dos efeitos negativos do arsênio para a saúde. A possibilidade de que o arsênio e o selênio sejam mutuamente antagônicos é conhecida. Pesquisas recentes sugerem que uma dieta rica em selênio e outros antioxidantes (como a vitamina E) ajuda a promover a metilação do arsênio, o que aumenta sua excreção do corpo. Os doadores de grupos metil, como o folato, também podem auxiliar no metabolismo e excreção de arsênio em humanos. Outros estudos revelam que a doença induzida pelo arsênio aumenta em indivíduos desnutridos, talvez devido a uma diminuição no mecanismo de metilação do arsênio (5).

Comunicação e ações preventivas:

- Em relação ao monitoramento de arsênio em água para consumo humano, a Portaria GM/MS 888/2021 determina que todos os prestadores de serviço de abastecimento de água para consumo humano realizem semestralmente a análise dessa substância na água fornecida à população. Além disso, esses resultados devem ser enviados para a secretaria municipal de saúde para gestão das informações e como subsídio na tomada de decisões. Ademais, o Decreto 5.440/2005 estabelece a responsabilidade dos prestadores de serviço de abastecimento de água em publicizarem os resultados de forma clara e transparente para a população (6).

- É prudente evitar a superexposição a fontes ambientais conhecidas de arsênio (7).

- Evitar entrar em contato por longos períodos com o solo, ar e água desses ambientes com altos níveis de arsênio, também é prudente evitar o consumo de alimentos produzidos neste local, sejam eles de origem animal ou vegetal (8).

- Há evidências de que a má nutrição afeta a metabolização do arsênio. Há também evidências do papel antagônico entre selênio e arsênio. Compostos doadores do grupo metilo, como o folato, podem ajudar a metabolizar e excretar arsênio. Portanto, uma dieta rica em selênio e outros antioxidantes pode prevenir os efeitos tóxicos do arsênio (7).

- Evitar fontes de arsênio inorgânico na dieta é uma ação prudente para reduzir o risco de intoxicação por arsênio (7). Os principais contribuintes para a exposição alimentar ao arsênio inorgânico são o arroz, os produtos à base de arroz e os cereais e produtos à base de cereais. A água potável também contribui para a exposição (9).

- Fumar pode causar câncer de pulmão. Pesquisas sugerem que o tabagismo, associado à inalação ou ingestão de arsênio, pode aumentar o risco de câncer de pulmão. Parar de fumar pode reduzir o risco de câncer de pulmão (7).

- Limitar a exposição solar e usar protetor solar são duas ações que podem reduzir o risco de câncer de pele. Pesquisas relatam que lesões de pele podem ser causadas por cânceres de pele induzidos por arsênio e pela possível combinação de radiação UVB e exposição ao arsênio (7).

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4.3 Efeitos a saúde

A exposição ao arsênio e seus derivados causa anemia hemolítica, polineuropatia, hipotensão e danos aos pulmões, sistema digestório, rins, fígado, sistema nervoso, coração e órgãos hematopoiéticos. Este elemento é classificado como cancerígeno para humanos (10,11,12).

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4.3.1 Sinais e sintomas na fase aguda

Quadro 2: Os sinais e sintomas de intoxicação aguda e subaguda por arsênio (4)

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4.3.2 Sinais e sintomas na fase crônica

Os efeitos mais sugestivos da exposição crônica ao arsênio (por inalação ou ingestão) são lesões cutâneas e neuropatia periférica, e a sua presença deve motivar uma pesquisa direcionada para esta etiologia. Além disso, a neuropatia pode ocorrer de forma insidiosa na toxicidade crônica, sem outros sintomas aparentes. Contudo, uma avaliação cuidadosa geralmente revela a presença de sinais indicativos de problemas multiorgânicos ou multissistêmicos, como anemia, leucopenia e/ou testes de função hepática elevados (4).

Quadro 3: Os sinais e sintomas de intoxicação crônica por arsênio (4)

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4.4 Investigação Clínica

Em casos de exposição significativa ao arsênio, a avaliação médica deve incluir histórico da exposição, histórico clínico, exames laboratoriais, conforme necessário, e exame físico. Para confirmar um diagnóstico, é necessário integrar os resultados laboratoriais com os achados clínicos (4).

Após estabilizar o paciente, o médico deve solicitar imediatamente exames laboratoriais para obtenção dos valores basais. Depois, deve-se manter o monitoramento periódico, seguindo as devidas instruções (4).

É necessário obter uma amostra de urina e realizar uma análise de arsênio, uma vez que os níveis deste metalóide na urina tendem a diminuir rapidamente durante as 24-48 horas após a exposição aguda (4).

Em muitos casos, a fonte de exposição ao arsênio não pode ser identificada. Por essa razão, para identificar tal fonte, é necessário realizar uma história cuidadosa de exposição, um exame físico, trabalho laboratorial e testes ambientais. Os resultados dos exames neurológico e dermatológico podem oferecer pistas de intoxicação por arsênico (4).

Quadro 4: Investigação histórica da exposição ao arsênio (4)

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4.5 Marcador Biológico

Depois de ser absorvido pelos pulmões ou pelo trato digestivo, o arsênio é amplamente distribuído por todo o corpo através da corrente sanguínea. A maioria dos tecidos libera arsênio, exceto pele, cabelo e unhas (4).

Duas a quatro semanas após o término da exposição ao arsênio, esta substância pode ser encontrada em tecidos ricos em queratina, como cabelo, ossos e dentes, em menor grau, na pele e unhas. A metilação é o principal método de metabolização do arsênio em humanos (4).

A urina é a principal via de excreção do arsênio. Logo, o arsênio é excretado em sua maior parte na urina. A maior parte de uma dose única e de baixo nível é excretada nos dias seguintes após a ingestão. Os humanos excretam na urina uma combinação de arsênio inorgânico e seus metabólitos monometilados e dimetilados (4).

Aproximadamente 95% de uma dose ingerida de compostos trivalentes de arsênio é absorvida pelo trato digestivo. O arsênio dos peixes é excretado 48 horas após a ingestão. Um exame laboratorial fundamental em casos de exposições recentes é a excreção urinária de arsênio (4).

Quadro 5: Biomarcadores do arsênio (4)

Observação: A análise dos efeitos tóxicos do arsênio é complicada pelo fato de o arsênio existir em vários estados de oxidação diferentes e em muitos estados inorgânicos e orgânicos diferentes (13).

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4.6 Tratamento

Não existe antídoto para intoxicações ao arsênio e seus derivados. O tratamento é sintomático e consiste em medidas de suporte à função respiratória, vascular e renal. As transfusões de sangue total podem ser eficazes se ocorrer hemólise significativa (12).

Pacientes com suspeita de intoxicação aguda por arsênio geralmente necessitam de rápida estabilização com reposição de líquidos e eletrólitos na unidade de terapia intensiva. Em casos de intoxicação grave, a reposição agressiva de fluidos intravenosos pode salvar a vida do paciente (5).

A lavagem gástrica também pode ser útil nos momentos seguintes à ingestão aguda de arsênio, para evitar a absorção do metalóide pelo trato digestivo. A eficácia do uso de carvão ativado é controversa. Contudo, a sua administração juntamente com um agente catártico (como o sorbitol) é frequentemente recomendada. Se houver diarreia profusa, o uso de agentes catárticos deve ser evitado. Em algumas situações a hemodiálise pode ser benéfica em pacientes com insuficiência renal concomitante (5).

Os agentes quelantes, administrados horas após a absorção do arsênio, podem ajudar a prevenir os efeitos negativos da intoxicação. O dimercaprol (2, 3 dimercaptopropanol, também conhecido como BAL), foi o agente quelante mais recomendado no passado para tratar intoxicação por arsênio. Atualmente é recomendado o uso de 2-3-dimercapto-1-propanossulfonato (DMPS) ou ácido meso 2,3-dímero-captosuccínico (DMSA). Esses dois compostos são mais solúveis em água que o BAL, podendo ser administrados por via oral, apresentando menor toxicidade. Todos os agentes quelantes conhecidos têm efeitos colaterais, por isso devem ser usados com cuidado (5).

No caso do tratamento de pacientes com exposição crônica, é fundamental identificar a fonte tóxica, retirar o paciente dela e administrar medidas paliativas. Há pesquisas que sugerem que o uso de análogos da vitamina A (retinóides) pode ajudar no tratamento de ceratoses pré-cancerígenas causadas pelo arsênio (5).

A recuperação do envenenamento crônico por arsênio, especialmente da neuropatia periférica, pode levar meses e pode até não ser completa. A terapia de quelação não ajuda a melhorar a neuropatia estabelecida por intoxicação por arsênio. Um ensaio clínico prospectivo, cego, controlado por placebo, usando DMPS, revela uma melhora significativa nos sinais e sintomas de intoxicação crônico por arsênio (5).

Pacientes que apresentem exposição excessiva ao arsênio (revelada em exames de urina) ou que apresentem os efeitos clínicos dessa exposição, e nos quais a fonte exata de exposição não seja conhecida, devem ser avaliados de diferentes formas: Devem realizar exames ambientais (por exemplo na água para consumo humano), procure possíveis exposições causadas e conduza uma investigação no local de trabalho (5).

Após a realização de uma intervenção, é necessária uma análise à urina para confirmar que a exposição foi reduzida. Da mesma forma, é necessária a realização de exames clínicos para corroborar a resolução das alterações clínicas e dos resultados laboratoriais (5).

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4.7 Valor de Referência Toxicológico

No Brasil, a definição dos limites para exposição ocupacional ao arsênio é orientada pela Norma Regulamentadora nº 7 (NR-7), conforme estipulado na Portaria nº 24 de 29 de dezembro de 1994. Esta portaria, emitida pela Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho, que é parte do Ministério do Trabalho, estabelece o "Valor de Referência da Normalidade" para o arsênio total em urina, o qual deve ser menor ou igual a 10 µg/gr de Creatinina, segundo a norma atualmente em vigor no país (14).

É importante ressaltar que os exames avaliam isoladamente uma exposição e não uma intoxicação, que só pode ser assim considerada após avaliação clínica e realização de mais análises para definir o diagnóstico. Estes limites biológicos indicam o limite máximo acima do qual é considerado que existe uma exposição excessiva (15).

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4.8 Periodicidade dos exames

(a ser discutido).

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5. MERCÚRIO

O mercúrio metálico, também conhecido como mercúrio elementar, é um elemento natural cujo símbolo químico é Hg. À temperatura ambiente é um líquido pesado, brilhante, branco prateado e inodoro, que geralmente forma esferas e pode evaporar no ar para se tornar vapor metálico de mercúrio. Se o mercúrio metálico for aquecido, ele se tornará gás mercúrio metálico (16).

O mercúrio é usado em diversas indústrias e produtos. É utilizado principalmente na fabricação de eletrônicos, lâmpadas fluorescentes e na produção de soda cáustica e cloro. Pode fazer parte de obturações dentárias, embora seu uso em odontologia esteja sendo gradativamente eliminado. O mercúrio metálico também é utilizado na medicina alternativa e em algumas práticas religiosas e culturais, especialmente nas comunidades latino-americanas, indianas, caribenhas e vietnamitas. Outros usos do mercúrio metálico, como em baterias e termômetros, foram eliminados ou drasticamente reduzidos, incluindo o uso de mercúrio metálico em laboratórios de ciências escolares (16).

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5.1 Fonte de exposição

O mercúrio elementar é produzido de forma barata pelo aquecimento de minérios contendo mercúrio e pela condensação do vapor. O mercúrio metálico tem muitas aplicações na indústria elétrica (por exemplo, baterias alcalinas, interruptores elétricos, luzes), em amálgamas odontológicos e em equipamentos médicos (por exemplo, termômetros, eletroanálise). Nas indústrias química e de mineração, o mercúrio é usado como catalisador em reações para formar polímeros, na fabricação de cloro e soda cáustica e na extração de ouro do minério. O mercúrio mal manuseado ou derramado de dispositivos usados em casa ou no local de trabalho é muitas vezes a fonte de exposições não intencionais (17).

Quadro 6: Fonte de Exposição ao mercúrio (17)

Nem o mercúrio líquido nem o vapor de mercúrio têm odor e, portanto, o odor químico não fornece nenhum aviso sobre concentrações perigosas. O vapor de mercúrio é mais pesado que o ar e pode, portanto, acumular-se em áreas pouco ventiladas ou baixas. As crianças expostas aos mesmos níveis de vapor de mercúrio que os adultos podem receber doses maiores porque têm maiores proporções entre área de superfície pulmonar: peso corporal e maiores proporções entre volumes. Além disso, podem estar expostos a níveis mais elevados do que os adultos no mesmo local devido à sua baixa estatura e aos níveis mais elevados de vapor de mercúrio encontrados mais perto do solo (17).

Em relação ao contato com a pele/olhos, o vapor de mercúrio elementar é absorvido muito lentamente pela pele em altas concentrações, mas causa irritação na pele e nos olhos e pode produzir dermatite de contato (17).

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5.2 Prevenção

A maioria das pessoas não precisa tomar nenhuma medida especial para evitar a exposição ao mercúrio metálico em suas vidas diárias. O contato com derramamentos de mercúrio metálico líquido deve ser evitado. Se o mercúrio metálico for derramado, espirrado ou misturado com sabão, ou se estiver em um recipiente aberto dentro de casa ou em uma área fechada, as crianças precisam ser removidas da área e limpas o derramamento o mais rápido possível. Para evitar que as crianças entrem em contato com mercúrio metálico, não permita que elas brinquem em áreas próximas a locais de resíduos perigosos ou minas antigas (16).

Em casos de derramamentos ou descarte de resíduos que contenham mercúrio, devido à alta toxicidade do vapor de mercúrio, é importante limpar o mercúrio da melhor forma possível, especialmente em áreas confinadas. Devem ser usados equipamentos de proteção como luvas de borracha nitrílica, avental, máscara e óculos de proteção. Um aparelho de respiração autônoma será necessário para grandes vazamentos/derramamentos. Um aspirador pequeno com um tubo capilar conectado a uma bomba pode ser usado para sugar gotas de mercúrio (18).

- Em relação ao monitoramento de arsênio em água para consumo humano, a Portaria GM/MS 888/2021 determina que todos os prestadores de serviço de abastecimento de água para consumo humano realizem semestralmente a análise dessa substância na água fornecida à população. Além disso, esses resultados devem ser enviados para a secretaria municipal de saúde para gestão das informações e como subsídio na tomada de decisões. Ademais, o Decreto 5.440/2005 estabelece a responsabilidade dos prestadores de serviço de abastecimento de água em publicizarem os resultados de forma clara e transparente para a população (6).

- É prudente evitar a exposição a fontes ambientais conhecidas de mercúrio. Reduzir a exposição a materiais que contêm mercúrio, tais como baterias, lâmpadas e equipamento elétrico, manuseando e descartando estes materiais adequadamente, para que o metal não contamine o ambiente (19).

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5.3 Efeitos a saúde

O mercúrio e seus compostos são tóxicos para o homem e ecossistemas. Inicialmente considerado um problema agudo e local, a poluição por mercúrio é atualmente entendida como global, difusa e crônica. Doses elevadas podem ser fatais para o ser humano, mas mesmo doses relativamente baixas podem ter efeitos adversos no desenvolvimento neurológico, no sistema cardiovascular, imunológico e reprodutivo (20). Há exposição ao mercúrio metálico no ambiente, mas espera-se que os níveis sejam baixos e não afetem a saúde. No entanto, pode haver exposições em níveis mais altos (16).

A principal via de exposição ao mercúrio elementar é a inalação de vapor de mercúrio. Os sintomas de toxicidade aguda após exposição a níveis elevados de vapor de mercúrio ocorrem poucas horas após a exposição (17).

Os sintomas respiratórios incluem bronquite corrosiva com calafrios e dispneia, que pode evoluir para edema pulmonar ou fibrose. Também podem ocorrer cólicas abdominais, diarreia, disfunção renal, distúrbios visuais e danos ao sistema nervoso central, levando a distúrbios neuropsiquiátricos e tremores intencionais (17).

O vapor de mercúrio pode atravessar as barreiras hematoencefálica e placentária. Também é excretado no leite materno. As crianças podem apresentar risco aumentado de toxicidade pulmonar e maior probabilidade de desenvolver insuficiência respiratória (17).

Comentario

5.3.1 Sinais e sintomas da fase aguda

Muitos efeitos agudos à saúde estão associados à exposição a altos níveis de vapor de mercúrio elementar. Podem predominar sintomas respiratórios (tosse, dor de garganta, falta de ar). Os efeitos gastrointestinais são frequentes no conjunto inicial de sintomas (gosto metálico, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal), assim como os efeitos no Sistema Nervoso Central (SNC), como dor de cabeça, fraqueza e distúrbios visuais. Vários dias após a exposição inicial, os sintomas são mais semelhantes aos que se desenvolvem após a intoxicação por mercúrio inorgânico, incluindo ptialismo (salivação intensa), enterite e danos renais; também pode haver efeitos crônicos no SNC, que se desenvolvem como resultado da capacidade do mercúrio elementar absorvido de atravessar a barreira hematoencefálica (17).

As crianças nem sempre respondem às substâncias químicas da mesma forma que os adultos. Podem ser necessários protocolos diferentes para gerenciar seus cuidados (17). Quadro 7: Os sinais e sintomas de intoxicação aguda e subaguda por mercúrio (17)